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Gastos da Polícia Federal no PR estão congelados há seis anos Postado em 12/11/2013 por SINPEFRN às 00:00

Com poucos recursos disponíveis, a Polícia Federal (PF) no Paraná sofre com a falta de agentes e de infraestrutura para combater o crime organizado. Nos últimos seis anos, os gastos da PF no estado com custo gerais, como locação de mão de obra e pagamento de passagens e diárias aos policiais, estão “congelados” em cerca de R$ 19 milhões. Em 2013, as despesas acumuladas com custeio chegam a R$ 19,9 milhões até setembro. São Paulo, por exemplo, gastou R$ 33,4 milhões no mesmo período. Os dados são do Portal da Transparência do governo federal.

Os efeitos do orçamento apertado são notados na estrutura da corporação. Segundo o Sindicato dos Policiais Federais do Paraná (Sinpef-PR), a PF deveria contar com 1,5 mil policiais fazendo investigação no estado, mas o total hoje não passa de 500. “Há locais com apenas oito policiais. A PF está desestruturada e existem cortes de verba, além da má gestão da administração central”, critica o presidente do Sinpef-PR, Fernando Vicentini.

Christian Rizzii/Gazeta do Povo

Christian Rizzii/Gazeta do Povo / Apenas quatro agentes fiscalizam os 40 mil veículos que passam por dia na Ponte da AmizadeAmpliar imagem

Apenas quatro agentes fiscalizam os 40 mil veículos que passam por dia na Ponte da Amizade

Atraso

Efetivo de agentes é o mesmo de 40 anos atrás, diz associação

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Marcos Leôncio Ribeiro, diz que em todo país há cerca de 11 mil policiais federais, enquanto a Receita Federal conta com 22 mil auditores. O número da PF deveria pelo menos se equiparar. “O efetivo da PF é o mesmo da década de 70. Nós precisamos de concursos regulares, periódicos e de uma política de fixação do servidor na fronteira”, afirma.

Coronel da reserva e ex-chefe do estado maior da Polícia Militar de Minas Gerais, Severo Augusto diz que, de forma geral, os investimentos na corporação são pequenos. Quando se trata de policiamento de fronteira, a carência é grande apesar de a região ser estratégica. “São pelas fronteiras que chegam as ameaças”, diz. Para o coronel, há um contingenciamento de despesas que não permitem que os recursos cheguem à polícia. E dessa forma, o governo não destina para a PF os recursos que a corporação precisa.

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INFOGRÁFICO: Veja os gastos da PF no Paraná desde 2007

A delegacia da PF em Para­naguá, no Litoral do estado, é um exemplo. Na cidade que abriga o segundo maior porto marítimo do Brasil, a corporação tem 20 policiais de serviço, quando o ideal seria pelo menos 70. A redução do efetivo é uma realidade em todo o estado. Em 1990, a PF contava com 220 agentes trabalhando com investigação em Curitiba. Hoje, são 90.

A falta de pessoal resulta em falhas na fiscalização. Na Ponte Tancredo Neves, fronteira de Foz do Iguaçu com Puerto Iguazú, na Argentina, 16 cabines construídas para controlar a entrada e saída de pessoas e veículos estão desativadas porque não há agentes suficientes para trabalhar lá. O investimento de R$ 250 mil, feito há dois anos, perdeu-se com o tempo. O espaço passou a ser usado como estacionamento.

Na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai, o número de policiais de plantão é quatro, metade do necessário para uma via por onde transitam 40 mil veículos por dia e 4 milhões de pessoas por ano, segundo o sindicato. Além disso, o sindicato denuncia que não há coletes balísticos femininos, apenas masculinos.

Equipamentos

Segundo o Sinpef-PR, a má gestão fica evidente quando se avalia a situação de equipamentos à disposição da PF. Vicentini diz que o Veículo Aéreo Não-Tripulado (Vant), cuja base fica em São Miguel do Iguaçu, a 45 quilômetros de Foz do Iguaçu, não sai do chão. O avião espião está com licenças da Agência Na­cio­nal de Aviação Civil (Anac) e da Agência Nacional de Te­lecomunicação (Anatel) vencidas. Os brevês dos pilotos também venceram.

Em Guaíra, na fronteira com o Paraguai, rota do contrabando pesado de cigarro e drogas, os policiais usam lanchas apreendidas para trabalhar, algumas destinadas à pescaria e que não são homologadas pela Marinha. A principal embarcação disponível, que custou R$ 2 milhões, está estragada e não pode ser acionada quando o nível do Rio Paraná está baixo.

Direção diz que investiu em 2012 R$ 206 milhões

O Departamento da Polícia Federal (PF) em Brasília contesta as informações do sindicato e informa que, em 2012, investiu R$ 206 milhões em equipamentos e infraestrutura. Além disso, sustenta que o índice de execução orçamentária alcançou 99% e 115% nos últimos dois anos, o que comprova a eficiência administrativa, diz nota enviada via assessoria de imprensa.

O órgão garante que as duas aeronaves do Sistema Vant estão com as licenças de voo em dia, como também a dos pilotos. Em relação à lancha de Guaíra, a embarcação passa por ajustes para atender às necessidades específicas da corporação. Embora esteja com problemas no motor central, a lancha pode operar com os outros dois motores que possui, informa a PF. No entanto, o que inviabiliza o uso é o baixo nível do Rio Paraná. Em razão disso, a corporação diz ter adquirido uma lancha blindada hidrojato que navega com profundidade de 40 centímetros que está prestes a ser entregue.

Sobre a falta de policiais, a PF afirma que está realizando concursos cujas vagas serão direcionadas às regiões de fronteira. Além de 600 novos policiais que passaram a trabalhar no início deste ano, outros 600 serão integrados com a conclusão do curso da Academia de Polícia. A PF alega que o concurso anterior atrasou em virtude de uma liminar do Ministério Público Federal que determinava porcentual de vagas a pessoas com necessidades especiais.

Ainda sobre contratações, a direção do órgão sustenta que o Ministério do Planejamento já autorizou concurso para mais 1,2 mil vagas. Até o final de 2014, segundo o órgão, a expectativa é que as fronteiras brasileiras contem com 1,8 mil policiais.

Equipamentos

Quanto aos equipamentos, a Polícia Federal diz que adquiriu, no último ano, 914 armas de fogo, das quais 800 não-letais, 18 equipamentos de raio X, 15 robôs antibombas, 111 binóculos de visão noturna, 180 designadores de laser infravermelho, 457 viaturas e duas aeronaves, incluindo um helicóptero. Também foi feito um plano de recuperação das embarcações, que possibilitou a reforma de cerca de 60. 

Fonte: Gazeta do povo

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