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Correio Braziliense destaca trabalho conjunto pela valorização dos cargos da PF Postado em 26/02/2016 por Sindicato dos Policiais Federais às 11:00

Brigas na PF perto do fim

https://www.youtube.com/watch?v=TCZZcQV0oEM

Pela primeira
vez, após décadas de rixas e desentendimentos, as duas principais
carreiras da Polícia Federal aparecem juntas em público. Em entrevista
exclusiva ao Correio, os presidentes da Associação dos Delegados da
Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, e da Federação Nacional
dos Policiais Federais (Fenapef, que representa agentes, escrivães e
papiloscopistas), Luís Antônio Boudens, além de se comprometerem com uma
pauta conjunta de valorização do órgão e dos profissionais, estão
empenhados em “estabelecer um clima de harmonia entre os cargos e
melhorar o convívio interno”, na análise de Boudens.



“O objetivo é não enxergar o outro como inimigo a ser abatido e
reconhecer que há pontos convergentes e divergentes que precisam ser
discutidos. Enfim, estabelecer o diálogo franco”, complementou Sobral.
Ambos concordam que, com a reconciliação, a sociedade também ganha, pois
a expectativa é de que a paz e a integração aumentem a produtividade e
melhore o atendimento ao cidadão, embora a Polícia Federal, no momento,
seja uma das instituições mais bem avaliadas do país. Outros pontos
serão fortalecidos. Entre os mais importantes, está a ampliação do poder
na negociação salarial com o governo.



Nas últimas negociações, disse Boudens, outras categorias conseguiram
avanços e percentuais de reajuste superiores justamente porque ninguém
se entendia dentro da PF. “Temos focado nossa luta, também, na
aposentadoria especial para os policiais – 30 anos de serviço para
homens e 25 para as mulheres – e na integralidade e paridade”, reforçou.
De acordo com o presidente da Fenapef, estudos comprovam que, devido ao
nível de estresse a que são submetidos, a expectativa de vida dos
policiais é sete anos inferior à dos demais trabalhadores.



Mais autonomia e investimentos



No último dia 11 de fevereiro, as entidades representativas dos
delegados, escrivães, peritos, papiloscopistas e agentes entregaram um
documento, com 30 pontos, ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e ao
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “É fundamental que a PF tenha
maior autonomia. Se a instituição é fraca, os cargos são fracos. Por
isso, achamos importante destacar no documento a proibição de
contingenciamento do orçamento, a criação de cargos e o aumento de 10%
nos investimentos, para os próximos cinco anos”, ressaltou Carlos
Sobral, presidente da ADPF.



De acordo com Sobral, o orçamento da PF está em torno de R$ 1 bilhão.
“Esses R$ 100 milhões previstos (aumento de 10%) ainda são poucos, mas
já é um começo”, afirmou. Ele destacou que não é justo ver os policiais
sem condições de se deslocar para operações, porque falta gasolina para
as viaturas ou proque o valor das diárias é insuficiente. O impacto nos
cofres da União, com o sucateamento da PF, é maior do que se imagina,
devido à busca por outro cargo com melhores remunerações. A cada
concurso, depois de treinada e bem preparada, a maioria abandona a
carreira por falta de incentivo.



“Cada policial custa ao Tesouro Nacional em torno de R$ 100 mil”,
revelou Luís Boudens, presidente da Fenapef. O valor inclui concurso
público (provas oral e escrita), exame psicológico, prova física e
treinamento. Além disso, reforçou Sobral, ao contrário de outras
carreiras, após a posse os policiais vão para a fronteira e se deparam
com total falta de infraestrutura. “Onde não se quer ficar, não se
assume responsabilidade. Esse comportamento se reflete na qualidade do
serviço. Se a pessoa já pensa em ir para outro posto, porque vai
enfrentar os contratempos da profissão?”, questionou Sobral.





Fonte: Correio Braziliense



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