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‘A paixão dele era a Polícia Federal’ Postado em 27/09/2013 por SINPEFRN às 00:00

Bauruense, Fábio Ricardo Paiva Luciano completaria 39 anos no dia 4 de outubro, segundo o irmão dele, Lúcio Luciano Neto. O policial federal era casado há seis anos, mesmo tempo em que estava na carreira, e tinha um enteado de 18 anos.

Criado no bairro Bela Vista, era neto do falecido aviador e comerciante de fogos de artifício Lúcio Luciano – que acabou dando nome a uma conhecida avenida na zona sudeste da cidade – e filho de Lúcio Luciano Filho e Ivone Paiva.

Nascido em Itatinga em 13 de fevereiro de 1923, Lúcio Luciano se tornou um dos mais famosos pirotécnicos do Brasil. Ingressando na política, foi eleito vereador em 1960 e reeleito na legislatura seguinte, exercendo o mandato até 1968. Foi presidente da Câmara Municipal de Bauru durante cinco anos consecutivos, de 1964 a 1968, e morreu em 18 de outubro de 1979.

Além da esposa, do enteado e dos pais, Fábio deixa também os quatro irmãos: Lúcio Neto, Fávio, Ana Clara e Rodrigo Luciano.

Fábio era formado em direito e chegou a advogar, mas acabou seguindo a carreira pública dentro da Polícia Federal anos depois.

“O sonho dele era ser policial, pegar bandidos. Chegou a estudar mais de 12 horas seguidas por dia para conseguir passar no concurso. Era apaixonado pela Polícia Federal”, conta Lúcio Neto, em entrevista ao Jornal da Cidade na manhã de ontem. O corpo do policial foi velado no Centro Velatório Terra Branca.

Após passar no concurso público para ingressar na carreira, Fábio mudou-se para Boa Vista (RR), onde morou por aproximadamente cinco anos.

Transferido para Bauru, o policial federal morava com a esposa, Ana Carolina Luciano, e o enteado Lucas em uma casa na Vila Brunhari, região central de Bauru, há cerca de um ano.

É descrito pelo irmão como uma pessoa séria, dedicada ao trabalho, tranquila e brincalhona nos momentos de lazer.

“Nada estragava fácil o dia dele. Ele era forte, não tinha medo de nada. Soube que chegou a receber ameaça de morte por bandidos quando estava em Boa Vista, mas não tinha medo”, detalha o irmão. “A alegria dele era brincar com a afilhada, que é minha filha”, completa Ana Clara Luciano, também irmã do rapaz.


Repercussão

Colegas de trabalho, amigos e parentes estiveram ontem no velório do policial para prestar suas últimas homenagens. A reportagem foi impedida por agentes federais de conversar com os parentes no primeiro momento, mas depois o irmão concedeu entrevista.

Na página da Polícia Federal no Facebook, dezenas de comentários criticavam a bandidagem e homenageavam o policial morto em serviço.

O corpo de Fábio Ricardo Paiva Luciano foi enterrado por volta das 16h30 de ontem, no Cemitério da Saudade. Aproximadamente 70 pessoas compareceram ao sepultamento do policial federal.

Familiares, amigos, policiais federais e representantes da OAB de Bauru prestaram suas últimas homenagens e se despediram do policial, que foi aplaudido por todos os presentes. Muitos mencionaram que Fábio morreu como um herói, cumprindo seu dever de combater o crime organizado.


Colete

Sobre a versão apresentada pela Polícia Federal à família, Lúcio Neto fechou questão. “Não sei muita coisa ainda, estou esperando essa confusão passar. Uns falam que ele estava sem colete e outros dizem que estava com a proteção. Só sei que há pouco tempo ele tinha comprado um colete mais reforçado”, revela o irmão.

O tiro de fuzil, segundo a família, teria entrado próximo à costela e acertado o coração do rapaz, que não resistiu e morreu na Santa Casa de Jaú.

“Era um grande homem e vai deixar muita saudade em todos nós”, finaliza o irmão, cabisbaixo.


Repúdio

Em nota enviada ontem, o Sindicato dos Servidores da Polícia Federal em São Paulo (Sindpolf) informou que operações desse tipo, envolvendo pista clandestina e pouso de aviões, são rotineiras, sendo que Ribeirão Preto tem larga experiência nisso.

“Há mais de um mês, equipamento de visão noturna, armamento e pessoal fixo para atuar em operações desta natureza no Estado de São Paulo foram solicitados ao Comando de Operações Táticas (COT) em Brasília, mas o pedido foi negado pelo chefe do COT”, diz trecho da nota.

Ainda segundo o sindicato, o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Ciciliati  Troncon Filho, teria solicitado à  Academia Nacional  de Policia (ANP) um treinamento intensivo dos policiais federais paulistas com fuzis,  para o combate ao narcotráfico, principalmente nesta modalidade de “pista”. A solicitação também teria sido negada pela Academia.

O sindicato afirma ainda que a operação deflagrada anteontem estaria ligada a à operação que desarticulou no mês passado um grupo criminoso que atuava nos  mesmos moldes em Uberlândia e Uberaba (MG) que, ao perder a carga de drogas naquela ocasião, prometeu matar policiais federais.

“Antes de ocorrer a operação de ontem (anteontem), o delegado de São Paulo teria entrado em contato com colegas da delegacia de Ribeirão Preto, que se manifestaram orientando do enorme risco envolvido nesta operação, e que como não possuíam equipamento de visão noturna adequado para o local, a missão deveria ser postergada”, relata outro trecho da nota.

O sindicato destaca ainda que, “ignorando orientação dos experientes colegas de Ribeirão Preto, foram acionadas equipes das cidades de Araraquara e Bauru, porém, omitindo informações importantíssimas sobre o grau de periculosidade da operação, tipo de armamento pesado envolvido e a suposta ligação com o grupo criminoso de Minas”.

A entidade considera que os policiais federais seguiram para uma operação às cegas, tendo como informação apenas que estava chegando uma carga de drogas em avião na cidade. As denúncias vão ser encaminhadas à Superintendência da Polícia Federal e ao Ministério Público para apuração.

 

Fonte: jcnet.com

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