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Brasil registra recorde de mortes violentas em 2017; número de estupros e feminicídios também aumentou Postado hoje por Sindicato dos Policiais Federais às 15:32

Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nessa quinta, mostra que o Brasil teve sete mortes por hora no ano passado, totalizando 63.880 óbitos

O Brasil tem um novo recorde, mas não é nada animador. No ano passado, o País registrou o maior número de assassinatos da história. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nessa quinta-feira (9), mostram que foram registradas sete mortes a cada 60 minutos – um total de 63,8 mil mortes em 2017.

O número de estupros também aumentou em relação ao ano anterior. Em 2016, foram quase 55 mil casos registrados. Em 2017, foram 60 mil, um aumento de 8%. O número de feminicídios também cresceu. Na semana em que foram registrados diversos casos do crime contra as mulheres (cinco em menos de 12 horas só no Distrito Federal), o Brasil teve 1.133 mulheres mortas em 2017 – número maior que o do ano anterior, com 929.

As mortes decorrentes de intervenção policial também subiram: foram pouco mais de cinco mil no ano passado – em 2016, foram registradas 4,2 mil. Em contrapartida, o número de policiais civis e militares mortos em situação de confronto caiu. Em 2016, 93 policiais foram mortos em operação; em 2017, foram 77.

Para o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, os números mostram como o sistema de segurança pública no Brasil está falido. “O nosso modelo é extremamente burocrático. Há várias investigações paradas na polícia. Esse vazio que temos entre o tempo que demora a investigação e a falta de efetividade dela, principalmente nesses assaltos com violência, à mão armada, e que levam ao homicídio, isso precisa ser mudado urgentemente. A nossa polícia está afogada em burocracia”, disse.

No ano passado, foram registrados 2,3 mil latrocínios (roubo seguido de morte), número menor do que no ano anterior, que foi de 2,5 mil. Mas ainda é alto, segundo Boudens. “Esse modelo de segurança pública brasileiro não consegue acompanhar e combater com integralidade todo o evento criminoso. O policial que atende uma ocorrência de crime deve ter a possibilidade legal de participar da investigação até o fim, sendo capaz de unir a sua expertise operacional à sua capacidade investigativa.”
Carreira única

O presidente da Federação acredita que a instituição de uma carreira única dentro da Polícia Federal poderia mudar esse cenário. “A carreira única é modelo de eficiência em vários países em que a segurança pública é referência. O FBI é um exemplo. É uma medida que promove mais união interna, eficiência e autonomia para a Polícia Federal, e ainda diminui substancialmente os custos para a administração pública”, explica.

O porta-voz também explica o porquê de os profissionais de segurança defenderem a adoção do ciclo completo de polícia como ferramenta para melhorar os índices de elucidação de crimes. “Duas polícias separadas não funcionam com a mesma eficiência de uma polícia integrada. Essa é uma questão que impede nosso modelo de investigação de avançar. Além disso, também é preciso considerar o gasto público para manter estruturas de polícia com naturezas diferentes. Esse dinheiro deveria estar sendo aplicado em modernização”.
Despesas

Segundo o Anuário Brasileiro, a União gastou no ano passado R$ 9,7 bilhões em segurança pública, quase 7% a mais em relação ao ano anterior. Os estados também tiveram aumento nas despesas com o setor: R$ 69,8 bilhões contra R$ 69,6 bilhões em 2016. O estado com o maior gasto foi São Paulo, com R$ 11,5 bi, seguido de Minas Gerais (R$ 9 bi) e do Rio de Janeiro (R$ 8,5 bi), que apresentaram queda em relação a 2016.

Além do Rio, a Bahia, que ficou no pódio como o estado com o maior número de mortes violência intencionais no ano passado, também apresentou queda de pouco mais de 4% nos gastos, passando de R$ 4,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões.

“É preciso investir no setor. A segurança é, hoje, uma demanda urgente da população, à frente até mesmo se áreas prioritárias, como saúde e educação. É preciso refletir sobre esses números e o que eles representam para o Brasil”, completa Luís Boudens.



FONTE: Agência Fenapef

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